O Banco de Cabo Verde, em articulação com o governo, resolveu prorrogar as medidas de moratória, adoptadas em 26 de Março de 2020, abrangendo sobretudo os particulares e as empresas pertencentes aos sectores e ilhas mais afectadas pelos impactos da crise da COVID-19.

Esta manhã, em conferência de imprensa, o governador do BCV, Óscar Santos, disse que as medidas são uma forma de reforçar o financiamento à economia pelas instituições de crédito e a sua capacidade de absorção de perdas decorrentes da crise pandémica.

“No que tange aos requisitos de capital, [esta prevista] a manutenção até 31 de Março de 2022, do rácio de adequação de fundos próprios totais num patamar mínimo de 10%. Permite-se, ainda, a manutenção, até 31 de Março de 2022, da suspensão da dedução dos valores dos bens recebidos em reembolso de crédito próprio (dação em cumprimento). Considerando que as operações de crédito abrangidas pela moratória não são consideradas como crédito em incumprimento, esses créditos podem, enquanto durar a medida, não ser classificados de forma automática como “crédito reestruturado” ou em “default”, sem impacto nos indicadores prudenciais e financeiros das instituições de crédito”, avança.

No que diz respeito às políticas monetárias, o Banco de Cabo Verde deliberou pela manutenção das taxas de referência e manutenção do actual programa de financiamento de longo prazo, através da Operação Monetária de Financiamento (OMF), até 31 de Dezembro.

Deliberou assim “pelo ajustamento do programa, a partir de Janeiro de 2022, mantendo-se, contudo, a maturidade máxima de 3 anos, com condições especiais de financiamento, à taxa de juro de 0,75%, reduzindo o montante de colocação mensal para 1,5 mil milhões de escudos, podendo atingir o montante de 9 mil milhões de escudos até Junho de 2022, altura em que o BCV procederá à nova avaliação e revisão do programa, podendo revisitar o quadro operacional de política monetária em função das necessidades e da evolução da economia. Pela manutenção da lista de activos elegíveis para as operações monetárias de financiamento”, frisa.

O governador do BCV sublinha que em relação à economia nacional, as perspectivas são para uma contínua recuperação da severa recessão causada pela pandemia.

Apesar da incerteza, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia do país cresça 6,0 por cento em 2022, ou seja, 0,2 pontos percentuais acima do crescimento previsto para 2021.

O PIB deverá ser impulsionado pela recuperação de receitas de viagens e serviços de transporte e medidas de apoio à recuperação económica e social.

A vacinação deverá permitir o controle da pandemia e a recuperação das actividades mais afectadas pelas medidas de distanciamento social.

Fonte: Expresso das Ilhas